A higiene das mãos constitui uma das medidas mais eficazes, simples e custo-efetivas na prevenção e controlo das infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS). No Dia Mundial da Higiene das Mãos, assinalado anualmente a 5 de maio sob a égide da Organização Mundial da Saúde, reforça-se a importância desta prática como pilar fundamental da segurança do doente e da qualidade dos cuidados prestados.
Do ponto de vista microbiológico, as mãos dos profissionais de saúde representam o principal veículo de transmissão cruzada de microrganismos, incluindo bactérias, vírus e fungos. A flora transitória, adquirida através do contato com superfícies contaminadas ou com o próprio paciente, pode ser facilmente removida através de uma adequada higiene das mãos, interrompendo assim a cadeia de transmissão da infeção. Estudos demonstram que a adesão consistente às práticas recomendadas reduz significativamente a incidência de infeções nosocomiais, bem como a morbilidade, mortalidade e custos associados.
A Organização Mundial da Saúde define os “5 Momentos para a Higiene das Mãos” como referência internacional: antes do contacto com o doente, antes de procedimentos limpos/assépticos, após risco de exposição a fluidos corporais, após contacto com o doente e após contacto com o ambiente envolvente do doente. A implementação desta abordagem estruturada, aliada à disponibilização de soluções antissépticas de base alcoólica (SABA), tem demonstrado melhorias significativas na adesão dos profissionais.
Para além do cumprimento técnico, a promoção de uma cultura institucional de segurança é determinante. Estratégias multimodais, incluindo formação contínua, auditorias com feedback, liderança visível e campanhas de sensibilização são recomendadas por entidades como o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças. A educação dos profissionais, doentes e visitantes deve enfatizar não apenas o “como”, mas também o “porquê” da higiene das mãos, fomentando comportamentos sustentáveis.
Importa ainda referir que, no contexto de ameaças emergentes, a higiene das mãos assume um papel crítico na mitigação da disseminação de agentes patogénicos a nível comunitário e hospitalar.
Em suma, a higiene das mãos é um ato clínico essencial, sustentado por evidência científica robusta, que salva vidas. O compromisso individual e coletivo com esta prática deve ser contínuo, sendo o Dia Mundial da Higiene das Mãos uma oportunidade privilegiada para reforçar a consciencialização e a responsabilidade profissional.
Conteúdo desenvolvido pela Unidade Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistências aos Antimicrobianos
5 de Maio de 2026



